A cantora Angela Ro Ro, uma das vozes mais marcantes da Música Popular Brasileira (MPB), faleceu nesta segunda-feira (8/9), aos 75 anos, no Hospital Silvestre, no bairro do Cosme Velho, Zona Sul do Rio de Janeiro. Internada desde junho devido a uma grave infecção pulmonar e problemas renais, a artista não resistiu a uma parada cardíaca após apresentar uma nova infecção. Durante a internação, passou 21 dias na UTI, foi intubada, submetida a uma traqueostomia e enfrentou dificuldades de comunicação e coordenação motora.
Nos últimos meses, Angela enfrentava também sérias dificuldades financeiras. Em maio, fez um apelo nas redes sociais pedindo doações, alegando ter sido diagnosticada com infecção no sangue e suspeita de câncer. Disse viver sozinha e contou com a ajuda do porteiro do prédio onde morava e sua esposa. A situação sensibilizou fãs e colegas da música.
De acordo com seu advogado, Carlos Eduardo Campista de Lyrio, a cantora vivia com apenas R$ 800 por mês, oriundos de direitos autorais digitais, e não possuía aposentadoria. “Angela vivia da voz dela, literalmente”, afirmou o representante.
Nascida Angela Maria Diniz Gonçalves em 1949, no Rio de Janeiro, começou a estudar piano clássico aos cinco anos. Na adolescência, ganhou o apelido “Ro Ro” por conta de sua voz grave e rouca. Sua carreira artística despontou no fim dos anos 1970, com o lançamento do álbum Angela Ro Ro (1979), que se tornou um marco da MPB, com sucessos como “Amor, Meu Grande Amor”, “Gota de Sangue” e “Tola Foi Você”.
Reconhecida por sua autenticidade e talento, Angela Ro Ro foi uma das primeiras artistas brasileiras a se assumir publicamente homoss*xual, tornando-se também um símbolo de resistência e representatividade. Sua morte marca o fim de uma era na música brasileira, deixando um legado artístico e pessoal de grande importância.

