Em meio à avalanche de notificações, vídeos curtos e textos rápidos no celular, especialistas fazem um alerta importante: a chamada “leitura profunda” está desaparecendo — e isso pode afetar diretamente o funcionamento do cérebro. Segundo a neurocientista Maryanne Wolf, ler não é algo natural para o ser humano, mas sim uma das maiores invenções da humanidade. E mais do que isso: a leitura literalmente transforma o cérebro, criando novas conexões entre áreas ligadas à linguagem, pensamento, emoção e raciocínio.
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Apesar de nunca termos lido tantas palavras por dia — uma média estimada em cerca de 100 mil —, grande parte desse consumo acontece de forma superficial, em pequenas doses nas telas de celulares e computadores. Esse hábito fragmentado preocupa pesquisadores porque a consolidação do conhecimento exige concentração, reflexão e conexões mais complexas, algo que muitas vezes não acontece na leitura digital rápida. Para especialistas, apenas “passar os olhos” pelo conteúdo não ativa o cérebro da mesma forma.
Estudos internacionais apontam até mesmo uma espécie de “inferioridade da tela” quando o assunto são textos mais densos e emocionalmente exigentes. Segundo Anne Mangen, pesquisadora da área, notícias curtas podem ser lidas sem grandes prejuízos no celular, mas textos complexos tendem a ser melhor compreendidos no papel. A leitura profunda permite fazer analogias, inferências e desenvolver pensamento crítico, além de estimular empatia e imaginação — habilidades essenciais que podem enfraquecer sem prática constante.
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Mesmo com o avanço das novas tecnologias, especialistas defendem um equilíbrio. A esperança é desenvolver um cérebro “biletrado”, capaz de usar tanto o digital quanto o papel de forma inteligente, escolhendo o melhor formato para cada tipo de leitura. O alerta é claro: se a leitura profunda for deixada de lado, o cérebro pode se acostumar apenas ao consumo rápido e perder parte da capacidade de compreender conteúdos mais complexos.


