
Fachada da Delegacia da Polícia Civil em São José do Rio Preto, interior de SP (Foto: Instagram)
Um episódio inusitado desencadeou uma investigação interna na Polícia Civil de São Paulo. A Corregedoria instaurou um procedimento preliminar para apurar a conduta de um delegado após uma discussão com o advogado Kauan Eduardo de Lima Cambauva na delegacia de São José do Rio Preto, no interior do estado. O bate-boca teria como ponto de partida a descoberta de uma calcinha em uma das salas da unidade, o que levanta suspeitas de abuso de autoridade em apuração. O incidente ocorreu durante um mandado de busca e apreensão, segundo fontes ligadas ao caso.
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O desentendimento se deu na quinta-feira (9), quando equipes cumpriam um mandado de busca e apreensão na Divisão de Investigações Gerais (DIG) local. Conforme narrações colhidas, a confusão emergiu após a aparição de uma peça íntima — uma calcinha branca com detalhes vermelhos em renda — no canto de uma sala da delegacia. A presença do item provocou estranheza e acirrou os ânimos entre o delegado e o advogado que acompanhava o cliente alvo da operação.
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O advogado relata que, inicialmente, teve contato tranquilo com o delegado, mas o clima mudou quando o policial entrou visivelmente alterado. “Ele chegou totalmente transtornado, batendo na porta e nos xingando”, disse Kauan. Em seguida, o delegado acusou o advogado de ter inserido a calcinha no ambiente. Ao revistarem o espaço, agentes localizaram a peça íntima em um canto, confirmando a presença do objeto.
Para evitar escalada do conflito, o advogado orientou o cliente a descartar a calcinha, mas o delegado continuou irritado e chegou a ameaçar agressões. Ainda segundo o relato, o profissional pediu o acesso às imagens das câmeras de segurança da sala, mas teve o pedido negado. A postura do policial motivou o registro de reclamação formal junto à Corregedoria da Polícia Civil.
O caso ganhou desdobramentos quando uma mulher, igualmente alvo da operação, compareceu à delegacia. Ela afirmou que a calcinha lhe pertencia e que o objeto poderia ter sido transportado inadvertidamente por um investigador, preso a algum equipamento. Essa hipótese foi apresentada ao delegado, que não reconheceu possível engano nem ofereceu desculpas. Diante da postura do policial, o advogado decidiu formalizar representação contra o servidor.
Atualmente, a Corregedoria analisa depoimentos e provas para esclarecer as circunstâncias do episódio, buscando determinar se houve abuso de autoridade ou conduta inadequada. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou, em nota, que já solicitou as imagens do sistema de monitoramento da delegacia e que não compactua com desvios de conduta. Caso sejam confirmadas irregularidades, o delegado poderá responder a processo administrativo disciplinar.

